Uma inocência de meio século.

Lá pelos idos de 1970 começava aparecer os primeiro hippies geração paz e amor, nosso primeiro aparelho de televisão o primeiro da rua a marca era Empire e depois do antenista armar uma antena de mais de 20 metros de altura ela começou a dar os primeiros sinais era em preto e branco só passava desenho animado, jornal e uma novela e na copa do mundo de 70 a sala de casa ficou pequena para tanta gente assistir aos jogos também nessa época lembro de ter ganho uma bicicleta de adulto, uma monark olé 70, haja vista que a que eu tinha, uma monareta, era de criançinha como diziam meus amigos, tinha um forte apache, uma bola dente de leite, revolver de espoleta, colecionava gibis e também tinha algumas raras Playboy conseguidas as dura penas no mercado nego e muito bem escondidas onde comecei a descobrir os prazeres da masturbação motivo das páginas e consequentemente começa também as conversas e interesse nas garotas começando uma situação que só depois de meio século descubro o tamanho da minha inocente. Pois bem vamos aos fatos, a nossa rua tinha muitos, muitos amigos que dava para formar dois times de futebol e futebol era a nosso brincadeira favorita com jogos diários na pracinha da rua, nada nos prendia em casa a rotina era escola casa só para dormir e as refeições e rua sempre nada nos prendia em casa era muita muita resenha com os amigos, muitas brincadeiras muita interação, no sábado à tarde lavar o carro do pai par dar uma voltinha à noite, sábado a noite som no clube e domingo um matine sempre em grupos grupo dos bolinha e grupos das luluzinhas, e com o grupinho dos mais chegados, o nosso tinha na faixa de uns seis, que já começávamos a sair um pouco mais do nosso território em busca de novas aventuras principalmente as paqueras e consequentemente confusões com garotos de outras ruas, todos muito tímidos em se tratando de garotas apesar de que entre nos não achávamos assim, as garotas da rua não chamavam as nossas atenções nunca as notávamos apesar de serem bonitas só as outras era que nos interessava assim como de outros colégios também e tinha um colégio em especial, o das Freiras, uma espécie de sacre coeur e lá tinha uma turminha de garotas que sempre estavam juntas e que mais chamava a minha atenção principalmente pela beleza, humor e rebeldia, eu sempre as observar sem jamais ter a coragem de me aproximar acho que era orgulho medo de tomar um fora mas tinha um amigo da rua que tinha uma aproximação muito intensa e constante com elas e que eu não conseguia entender o motivo para tanta aproximação pois ele não era rico, não era tão diferente da gente, apenas um tanto misterioso e um tanto esperto, usava sempre calça comprida enquanto nos ainda shorts e bermudas eu sentia uma certa inveja e ciúmes dele por tamanha atenção que ele recebia, o tempo foi passando e passando e a amizade entre eles continuava pareciam que se divertiam no entanto não percebia um relacionamento tipo namoro padrão da época e ai vinha a desconfiança será que eles namoram escondido, qual delas ele pega e por ai vai, a gente tentava arrancar alguma coisa mais ele sempre negava que houvesse qualquer tipo de relacionamento, sempre irônico dizia "é apenas amizades" e dava uma risadinha marota que nos deixava mais intrigados ainda, só que na época, em nossa concepção machista e maldosa não existia amizade sem interesse entre um homem e mulher. O tempo foi passando e passando e passando a rua foi se esvaziando cada um tomando o seu rumo o contato se tornando raro e mesmo que tenhamos feito juras de amizade eterna não foi suficiente, o tempo toda a lembrança apagou. Depois de quase cinco décadas e para a prestar a minha solidariedade em um funeral retorno a minha cidade, a minha saudosa rua e as minhas lembranças encontrando os pouquíssimos amigos ainda remanescentes daquela minha infância, adolescência e mocidade e para minha surpresa e alegria quem estava lá era uma daquelas garotas que despertou em mim os primeiras desejos e paixões e ao contrário do que aconteceu no passado eu me aproximei puxei uma longa e saudosa conversa, falei da paixão que não eu tive a coragem de me declara pois ela nunca me dava bola e ai ela dando risadas falou “mais você nunca se aproximava da gente era muito fechado até que as meninas te achavam bonitinho mais te achavam um pouco careta” e quando a conversa já está bem descontraída eu lembro do amigo que eu tinha ciúmes pois tinha toda a atenção e espaço era para ele, ela dá uma pausa, pensa um pouco e ai recordando a pessoa da uma risada bem espontânea e fala “a fulano ele era um bom amigo, fazia os nossos mandados, compartilhava nossos segredos e era quem arranjava os cigarro para a gente” e ai eu ainda mais por fora do que umbigo de vedete pergunto cigarro como assim cigarro e ai ela dá outra risada e fala “bobinho” e ai no meu ouvido bem baixinho fala “maconha ele sempre tinha um cigarro de maconha que dividia com a gente” outra risada. Pois é o inicio da geração paz e amor ufa que alívio antes tarde do que nunca.



teu.

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