Lavar carro ou costurar.

O homossexual era chamado de viado ou pederasta sofria o maior esculacho pois ninguém nunca ouviu falar em homofobia a garota de programa ou acompanhante era puta, rameira, mulher da vida ou rapariga, mulher provocante quando passa na rua era assediada: ó gostosa, ai lá em casa, ai se meu fusca falasse, olha a capô de fusca, os faróis estão acessos e assim por diante, nada de mi mi mi, bulling ninguém nem nunca tinha ouvido falar e por ai caminhava a humanidade. O garoto geralmente completando os quatorze anos e com a não toda cabeluda, sinal de punheteiro que não podia ver uma calcinha já estava precisando dar uns tapa na boneca e geralmente cabia ao pai a tarefa de arrumar uma safadeza para o filho geralmente com as putas da cidade no cabaré da luz vermelha lá na beira da BR onde os caminhoneiros faziam as suas necessidade. Acertado o programa e deixado o garoto lá para o abete e no dia seguinte ansioso pai de forma discreto procurava a rameira para saber da performance do filho e conforme o relato se o menino deu mesmo no coro, se é macho mesmo e a resposta sendo positiva na semana seguinte o mesmo já estava dirigindo o caro do pai e daí por diante as tarde de sábado passa a ser de lavar o carango do velho para dar as saidinha de sábado à noite e transformar orgulhosamente o caro em um motel, caso a performance não tenha sido positiva com o garoto demonstrando insegurança, medo e até mesmo repulsa a mãe era chamada à culpa por estar dando muito mimo ao menino e deixando o mesmo brincar com garotas, gearlmente costurando vestidinhos ou fazendo penteados e assim ficando afeminado, essa brincadeira só poderia existir se fosse de médico e paciente. O tratamento começava a funcionar de forma intensa e discreta começando por vigiar e escolher as amizades, também se apelava para o jogo de sedução contratando domestica com os predicativos de boa de cama e mesa, em outros casos andar mais com o pai, no trabalho, no jogo de futebol ou em caso mais extremo manda-los para um internato masculino em outra cidade varrendo assim o pó para debaixo do tapete. Em minha rua a maioria foi lavar carro e uns quatro que me lembro quebraram essas barreiras, foram aceitos e fizeram acontecer e as coisas só evoluíam o tempo passava a paz reinava e só hoje é que vejo à aflorar tanta discursão em torno das diferenças, hoje lavar carro ou costurar não significa mais nada haja vista que a individualização é a marca de uma sociedade sem tempos para sentimentos apenas para a superficialidade de costumes passageiros e impessoais.


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