Do acampamento ao Kung Fu.

Muitos, muitos amigos para todos os momentos e diversões, uns gostavam de peão, outros de furão, outros de marraia ou boa de gude, outros de pipa ou curica, nego fugido capitão do mato onde corríamos por várias ruas, a unanimidade quase toda era o futebol o foi um hobby que compartilhei diretamente com três amigos e sempre alinhados estávamos lendo o que de novo surgia na única banca da nossa cidade e também em viagens a capital, o almanaque dos escoteiro mirins: Zezinho, Huguinho e Luizinho depois de reler várias vezes foi que me fez surgir a ideia de um acampamento e como sempre contava com o apoio dos dois fieis amigos leitores, ideia que foi de pronto atendido, marcamos data e fechamos os preparativos para o nosso primeiro acampamento, no dia combinado um dos chega meio desconfiado e diz que a mãe não deixou, ficamos desapontado e resolvemos ir apenas em dois, quando já íamos decididos e a descer a rua já quase dobrando a esquina a mãe desse meu companheiro de aventura grita ei aonde você pensa que vai com a mochila do seu irmão volta pode voltar e assim sendo sobrou apenas eu o idealizador e como teimoso que sou continuei a minha jornada, depois de umas horas de caminhada começo a sair da cidade entrando na periferia e em seguida na zona rural, a estrada já era de terra mais nada, nada parecida com a do gibi, então resolvo cruzar a cerca para me afastar da estrada e depois de uns dez minutos de caminhada o imprevisto acontece, a minha havaiana tourou a correia, tirei-a e tentei caminhar sem ela mais os espinhos não deixavam, minha salvação era um prego mais como encontrar no meio do campo, então resolvo fazer o caminho de volta e com grande sacrifício chego novamente na estrada e ai ainda tentando desço mais um pouco encontro um pequeno ponteão e um córrego ai resolvo descer até a água para me refrescar haja vista o calor esta demais, me sento em baixo do ponteão e resolvo comer um pouco do suprimento que havia levado, biscoito cream craker e ki suco de morango, em minha lancheira escolar e ai quando começo a saborear o meu lanchinho ouso um ei psiu ei psiu olhe para um lado para o outro e nada mais aquela voz me era desconhecida então a voz falou ei aqui em cima, quando olho, quem era, quem ela minha mãe, vamos para casa vamos, assim que chegamos e como sou muito teimoso resolvo então acampar no quintal da casa do meu avô que era muito grande, e por que não pensei nisso antes pensei comigo mesmo, o dia já escurecia então procurei um lugar próximo as bananeiras amarrei o lençol peguei a lanterna na mochila e quando peguei o gibi quem veio não foi o dos escoteiros não e sim o recém comprado manual do kung Fu a decepção foi momentânea e passageira haja vista que já tinha lido o dos irmãos escoteiro várias vezes e o do Kung Fu além de estar em alta nos cinemas ainda não tinha lido, as primeira páginas folheadas ansiosamente já me faziam imaginar que ali não era um acampamento mais sim um escola de artes maciais, corri para o meu quarto e sem conseguir pregar um olho idealizei a minha nova atividade. Ao amanhecer ainda com o pão com manteiga na mão corri até a casa deles e conto-lhes a ideia e que com entusiasmo e aceita na hora, ofegante e entusiasmado com o manual na mão começamos a colocar o plano em prática, um saco com areia, uma câmara de ar, cordas, pó de serra, tabuas pneus usados, juntado todo esse treco e com algumas ferramentas do meu avô erguemos a nossa academia de artes maciais e depois de pronta todo orgulhoso marcamos a primeira aula para o dia seguinte, quando lá estávamos notamos que as nossas roupas não estavam de acordo com o manual e ai tivemos a ideia de usar algo parecido, o pijama, sim o pijama, até nossa mãe fazer os quimonos ai sim todos de acordo vamos aquecer, depois fazer as primeiras posições, não primeiro esmurrar o saco e a tabua com a borracha de câmara de ar há até a mão sangrar e depois colocar enviar a mão numa bacia com areia quente, bem quente esquentada no fogão de lenha da minha avó e ai as posições que eram o catar, e um detalhe muito importante o grito tinha que gritar a cada soco, chute ou mudança de posição e começam a gritaria, o cachorro baleia do meu vô começou a latir o do vizinho também, o galo a cantar e ai foi um Deus nos acuda, a vizinha aparece na gritando o que é isto o que está acontecendo e ai e também chega a minha avó tivemos que interromper por um instante o nosso treino para explicar e como foi difícil haja vista que minha avó falava para as amigas que era um circo e isso pegava muito mal para gente, vó circo não luta, luta vó luta de kung fu, mais ela não aprendia nunca. Passado as primeiras semanas de treinamento a nossa fama começa a se espalhar na rua e outros guris querem entrar, chegamos a ter onze praticantes regulares, passamos ser reconhecidos até em outras ruas como os lutadores de Kung Fu, uma notoriedade haja vista que os filmes de lutas estavam no auge nos cinemas e as brigas também se se tornam uma frequente com vários adversários querendo nos testar. Hollywood então resolve estragar a nossa bem sucedida empreitada e ai muda o gênero, passando ao sucesso os lançamentos no estilo dos musicais, Grease Os tempo da brilhantina, Os embalos de sábado a noite e por ai vai, começa um novo modismo, a vez agora é dos dançarinos, sai os lutadores e entra os dançarinos obviamente com todo apoio das meninas e claro por sorte nessa mesma época o indústria nacional para competir com os enlatados americanos lança a pornochanchada e por ser amigo do filho do dono do cinema não era problema por serem impróprios para menores de 18 anos mas ai é uma outra história.




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