A cadela cadeirinha.

Atualizado: 31 de mar.

Nas pequenas cidades do interior do nordeste o gerente de Banco ainda é uma autoridade substituta na ausência do e obedecendo a uma certa hierarquia; prefeito, o delegado, o padre os vereadores e daí por diante e entre os gerentes de banco seguindo também aí uma hierarquia vem; o gerente do Banco do Brasil, o gerente da Caixa, o gerente do BNB e assim sucessivamente. Em suas atividades extra banco e exercendo o seu papel de autoridade substituto podemos listar uma série de atividades onde a sua presença é constantemente requisitada: convite para casamentos, batizados, concurso de misse, abertura de atividades esportivas, formaturas e eventos estudantis e também sendo uma presença obrigatória e constante nos clubes social da cidade. Na unidade de trabalho além das tarrafas inerentes aos serviços correlacionados com a atividade bancários tem em alguns outros momentos que agir como conselheiro e juiz de conciliação para manter a paz e harmonia no ambiente de trabalho, numa dessa intervenção como juiz de conciliação foi no caso da cadelinha cadeirinha. A cadelinha cadeirinha é de propriedade do nosso colega Ligeirinho (nome fictício) o responsável pelos serviços gerais na unidade, um faz de tudo na agência e a cadelinha cadeirinha era como se fosse mais um empregado da unidade, não faltava um dia sequer ao trabalho, sempre presente na abertura até o fechamento da unidade, ficava na porta fazendo companhia aos vigilantes e abanando o rabinho para os clientes em sinal de boas-vindas era mais conhecida da na cidade como a cachorra do banco. Um certo dia notei a ausência de cadeirinha na porta da unidade como de costume, estranhei e perguntei ao vigilante Fominha por cadelinha, ele não soube ou não quis responder e o expediente começou e a sua ausência por assim ficou.

Nossa cidade apesar pequena, mais ou menos vinte mil habitantes tinha dois clubes sociais ligados a bancos, BB e BNB, um outro clube social local e mais uma quadra poliesportiva municipal e em todos eles o futsal e o futebol soçaite eram esporte bastante concorridos, a nossa agencia bancaria estava sempre presente a participar dos torneios e campeonatos locais sempre como patrocinador, era com um troféu, uma bola, um jogo de camisa e também com vários colegas da agencia participando como atletas em algumas equipes. Como a atividade esportiva fazia parte das minhas atividades extra banco participando das peladas com os amigos duas ou três vezes por semana nos clubes locais então me veio a ideia de que a nossa agencia além de participar como patrocinador ter também uma equipe própria participando assim dos torneios e amistosos da cidade. Para pôr em pratica essa minha ideia marquei reunião de trabalho e na reunião determinei compulsoriamente a convocação dos funcionários para participar duas vezes por semana dos treinos do nosso time, e depois logico sempre tinha uma rodada de cervejas e refrigerantes, como trabalhávamos apenas seis horas por dia, das oito até as treze no horário de atendimento ao público e depois internamente o que sobrava muito tempo livre pela tarde para uma atividade social e de lazer e as vezes nos finais de semana acertávamos alguns amistosos. Assim demos início ao time da nosso agencia exemplo esse que foi seguido por outros bancos locais e outras entidades. Escolhemos o vigilante Fominha (nome fictício) para a tarefa de organizar, treinar e dirigir a equipe e os treinos haja vista ser o melhor jogador do time, um atleta quase que profissional, o treino marcado para as terças e quintas começando sempre as quatro horas, a convocação até o momento era cumprida rigorosamente por todos e já contando até com outros atletas fora dos quadros do banco, os treinos se tornou um evento bastante concorrido e sempre esperado com muita ansiedade. Foi então que comecei a notar a ausência de Ligeirinho, o dono de cadeirinha, não jogava muito bem, mas eu não admitia a ausência de minguem da unidade nos treinos salvo alguma justificativa plausível é claro, num outro dia ausência novamente e novamente, então chamei o nosso diretor de esporte o Fominha perguntei se ele sabia o motivo da ausência e ofereci o meu carro para ir buscar Ligeirinho ou verificar o que está acontecendo, então ele falou até que de uma maneira um pouco rude que não irai, estranhei a atitude, o outro vigilante Meinho (nome fictício) olhou para mim como quisesse fala algo, mas como ali quem mandava era o diretor de esporte não quis confrontar a sua autoridade. Na agencia chamei Ligeirinho e perguntei porque não estava indo aos treinos e então ele que meio sem querer falou que onde Fominha estivesse ele não iria mais pois estavam de mal um com o outro e só aturava ele na agencia porque não tinha outro jeito, e ai então saiu o gerente e entrou a figura do Juiz de conciliação, o nosso treino para mim era sagrado não poderia retroceder, eu tinha que descobrir o motivo da tal birra, então chamei Meinho o outro vigilante que também não se bicava muito com Fominha e perguntei se ele estava sabendo o motivo da reixa entre os dois, ele meio que desconfiado falou que Ligeirinho tá acusando Fominha de ter envenenado c cadela cadeirinha, ai lembrei realmente que cadeirinha tinha ficado um tempo sem comparecer na agencia, então aquela acusação fazia sentido, marquei uma reunião para o final do expediente com Fominha, Ligeirinho, Meinho e a presença da vítima, cadeirinha, para esclarecer se a tal tentativa de assassinato foi verdadeira ouvindo a versão de todos. E assim começou a primeira e a última audiência de conciliação; pedi ao vigilante Meinho que repetisse o que me havia me dito sobre o envenenamento de cadeirinha, depois pedi para Fominha fazer sua defesa, o mesmo falou; dei apenas o seu resto de comida para cadelinha como todo mundo faz aqui sempre, e que se cadeirinha não comesse as sobras dos colegas ela morria de fome pois Ligeirinho não tinha dinheiro para cuidar dela e que Ligeirinho não dava banho na cachorra e que ela era cheia de pulgas e que as pulgas estava empesteando o seu local de trabalho mais que nunca tentou matá-la e que Ligeirinho o tá acusando porque tem inveja dele, ai passei a palavra para Ligeirinho, e o mesmo retrucou dizendo; que dá comida sim para cadeirinha e que ela não tem pulgas e toma banho e que Fominha não gosta dela porque ele tem inveja dele e que ele colocou pimenta de proposito no resta da comida dele e depois deu para cadeirinha com intuito de matá-la e que quem não tinha dinheiro para cuidar de um cachorro era ele pois tudo que ele ganha era para gastar com a mulher dele só vivia luxando sem trabalhar pra cima e pra baixo de Bis (motocicleta), e só viver na academia e que o povo já estava falando e; ai o clima já começou a esquentar eu ai resolvi interferir, aclamei os ânimos e fiz a seguinte sugestão; que a unidade daquele dia em diante pagaria o banho e a ração de cadeirinha, o acordo sugerido foi aceito por ambas as partes, e sugeri também um pedido de desculpa por ambos e um aperto de mãos pois não toleraria desavenças no ambiente de trabalho e muito menos nos treinos, ambos concordaram e assim o acordo de paz foi selado, a harmonia voltou na unidade, os treinos voltaram a normalidade e cadelinha voltou ao seu posto.



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